Enquanto brinco com o vento,
lembrando de tudo que não quero mais ser,
Você mistura sua fumaça no ar,
trazendo-me o cheiro nosso
(perfume e cigarros).
E chego tonta, fechando os olhos
tentando fugir,
Ir pra além mar.
Mar que sempre nos mostra seu ronco,
quando estamos sós.
Sua calmaria e seu raivoso som
Embala-me num desejo que controlo.
Latente,
Disfarçado em olhares de menina com medo de ser mulher
Mergulhada num mar de arrepios,
Afogando-me na dúvida da liberdade contida.
15 abril, 2011
29 março, 2011
Breve Despertar
O breve despertar do riso
Acompanhando as tantas cores
De uma nova manhã
Os dizeres com duplas intenções,
E os olhares fixos incertos,
Absorvendo e transbordando palavras.
A chuva que chega,
Embalando o ritmo do amanhecer
E limpando a ressaca dos copos divididos,
Dos tragos suaves, como as nuvens que despertam.
Tantos sons,
Finitos.
Restamos nós
Como fazemos a cada fim de espetáculo,
Saboreando conversas bobas,
Direcionadas ao mais profundo do ser.
Somos almas expostas.
E mentiras nas verdades mais absurdas.
As taças rubras já sem cor e a maquiagem já escorrida,
Transparecendo o que não deixamos.
Mas ainda é beleza se assim quisermos.
E nossas percepções podem ir além do que é.
Não somente boca, não somente ouvidos.
Somos a união do todo.
03 março, 2011
Maria-Ninguém do Porto
anda em passos tortos, queimando ao sol
totalmente desvirginada pelo olhos cruéis,
poluindo seus ouvidos, com preconceitos.
tiraram-lhe a último gota de conceito,
transformando-a num animal sem cor,
apagando a sensível flor.
reclama apenas do mau cheiro,
exalado pelo hálito da soberba.
antes de morrer, já estamos fedendo.
totalmente desvirginada pelo olhos cruéis,
poluindo seus ouvidos, com preconceitos.
tiraram-lhe a último gota de conceito,
transformando-a num animal sem cor,
apagando a sensível flor.
reclama apenas do mau cheiro,
exalado pelo hálito da soberba.
antes de morrer, já estamos fedendo.
25 fevereiro, 2011
Fitou-me
Absorvendo com o olhar o desconhecido mais distante.
Esquecidos no tempo, procurou o mais profundo espaço,
O silêncio foi destruído somente pelo pulsar.
Nossa vontade imperfeita, interrompida
O impulso do desejo impudico explodiu, esgotando o ar.
Restou o arrepio com a lembrança,
Carícias minhas, querendo ser entregues a ti.
Pensamentos deslizando no ar,
Criando nuvens com imagens nossas.
Restou tanto desejo de juntar-nos,
Que todo lugar era possível de ver-te.
O beijo seu que ainda não se encostou ao meu,
Para misturar nossos gostos e confundir os cheiros.
O beijo meu que guardo apenas pra dar-te,
E sentir a pureza da plenitude da união
06 fevereiro, 2011
desenhar-nos
sujou o guardanapo com suas palavras fáceis
manchou em mim, um sentimento inapagável
trouxe desde o meu ventre, até todo o resto,
uma vontade de ter-lhe sempre como inspiração.
seus desenhos com palavras, era como um mapa;
encontrei todo sentimento em cada metáfora.
cospe-lhe tudo que pertencia a mim
foi uma entrega suja, porém inevitável.
como um vômito incontrolável e aliviante.
seriamos irrecuperavelmente "nós" a cada trecho,
a cada verbo, a cada rima.
Mesmo quando houvesse apenas palavras soltas,
juntaríamos, trazendo textos tolos,
falando de um amor, que tentamos.
manchou em mim, um sentimento inapagável
trouxe desde o meu ventre, até todo o resto,
uma vontade de ter-lhe sempre como inspiração.
seus desenhos com palavras, era como um mapa;
encontrei todo sentimento em cada metáfora.
cospe-lhe tudo que pertencia a mim
foi uma entrega suja, porém inevitável.
como um vômito incontrolável e aliviante.
seriamos irrecuperavelmente "nós" a cada trecho,
a cada verbo, a cada rima.
Mesmo quando houvesse apenas palavras soltas,
juntaríamos, trazendo textos tolos,
falando de um amor, que tentamos.
04 fevereiro, 2011
explosão do vazio
as lembranças tomaram conta de todo o vazio,
explodindo em esgotamento,
marcando o rosto, já cansado de pensar.
desejo uma enchente,
para levar tudo que restou e que ainda não consegui me separar.
procuro novas palavras, para falar do igual sentimento
que esqueceu de partir.
cansei se esperar por te, cansei de esquecer de mim.
explodindo em esgotamento,
marcando o rosto, já cansado de pensar.
desejo uma enchente,
para levar tudo que restou e que ainda não consegui me separar.
procuro novas palavras, para falar do igual sentimento
que esqueceu de partir.
cansei se esperar por te, cansei de esquecer de mim.
01 fevereiro, 2011
mm
seus olhos encontraram-me, despindo-me e vestindo-me de intenções. segui meus passos e sem querer, os seus; encontramo-nos numa mesma linha, buscando uma explicação no olhar não tão desconhecido, mas completamente novo. mudamos a direção e ainda assim, buscamos um ao outro, algo surgiu, como um êxtase. criamos uma aliança através de um simples olhar, que apenas um par compreenderia. é uma paixão e nada mais.
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