27 janeiro, 2012

o Ser tempo

Sutilmente o tempo vai ganhar corpo
o abstrato ficará concreto,
com vida, com gestos.

Levemente, o tempo ganhará peso
nos meus braços ainda fracos,
mas cheios do todo necessário.

Verei a cada dia,
a cada passo seu e meu,
o crescer do novo, do real,
da vida.

E o tempo vai correr,
Segurando na minha mão,
e vou olhar o passar dele,
esperando o próximo instante para olhar-te
sentindo a doçura do seu existir.

23 novembro, 2011

Ser

o sangue findou-se
minha pele não absorveu o seu rubor,
a sua sujeira (...)

sujo, virou os pensamentos carregados
pelo líquido puro que absorve cada canto de mim.

resistir.
existir.
persistir.

a coragem é tirada do mais lindo som,
do qual nem escutado é,
ainda.

o contínuo; a beleza do existir;  a força da vida,
o Sim.

12 agosto, 2011

Encontro

Caminho len-ta-men-te, sentindo os raios de sol que insistentemente fazem em mim esse calor, quase insuportável. Não lembro de me apressar; estou correndo atrás da lembrança do primeiro encontro do nosso olhar. Aquele instante, minúsculo, que olhei e gostei de ter sido atingida pelo seus olhos indecentes. Talvez não importe tanto, mas sei que caminho por nossos ambientes, procurando timidamente o lugar ideal para encontrar-te de novo. mas é inútil, há uma distância encobrindo os olhos ansiosos; talvez a vontade não seja maior que o impossível que estamos querendo mergulhar. Mas, pelo menos, o jogo do mostrar querer-se, da aquele frio na barriga que tanto procura nos meus dias sem graça.

08 agosto, 2011

Impermanência

Do dia chega a noite,
do amor o pranto.
Dos olhos, a cegueira,
Do querer, esquecimento.

Impermanência derramada,
em toda partícula do existir
A consciência incerta,
da tristeza de sumir,
na insegurança do não mais ser.

29 julho, 2011

apague o resto da luz
o simples fechar dos olhos não esconde:
o medo do que se foi
junto com a certeza do partir.
as dores que não contamos,
que não queremos,
que enganamos.

qual a extensão do último suspiro?

09 julho, 2011

Dois

Metade dói ao construir,
outra parte ao desconstruir.
      - Caminhos bêbados nas mentes vazias.
Seguir o que?
Não encontro mais os ideais reais,
que move naturalmente,
por um brilho inigualável.
Há, no  interior de uns,
um certo vazio sendo construído,
plantado pela desilusão do que nos prende,
do que nos guarda,
nesse infinito inexplicável,
do viver-se.

14 junho, 2011

qualquer título

fechamos os olhos;
seguimos o ritmo dos meus pés,
dançando os versos espontâneos
soprados no ar, por seus lábios belos.
cheiramos ao jasmim da nossa cama
e ao café do primeiro despertar.

misturamos,
os nossos doces.
os tantos sonhos nossos
cantados nos poemas declarados
na noite de lua linda.
escuridão que não assusta,
apenas junta.

os pés descalços
pararam o bailar no caminhar doce;
descascaram-se nos lençóis emaranhados,
de amor,
do dia
         à noite.