25 fevereiro, 2011

Fitou-me
Absorvendo com o olhar o desconhecido mais distante.
Esquecidos no tempo, procurou o mais profundo espaço,
O silêncio foi destruído somente pelo pulsar.
Nossa vontade imperfeita, interrompida
O impulso do desejo impudico explodiu, esgotando o ar.

Restou o arrepio com a lembrança,
Carícias minhas, querendo ser entregues a ti.
Pensamentos deslizando no ar,
Criando nuvens com imagens nossas.
Restou tanto desejo de juntar-nos,
Que todo lugar era possível de ver-te.

O beijo seu que ainda não se encostou ao meu,
Para misturar nossos gostos e confundir os cheiros.
O beijo meu que guardo apenas pra dar-te,
E sentir a pureza da plenitude da união

06 fevereiro, 2011

desenhar-nos

sujou o guardanapo com suas palavras fáceis
manchou em mim, um sentimento inapagável
trouxe desde o meu ventre, até todo o resto,
uma vontade de ter-lhe sempre como inspiração.
seus desenhos com palavras, era como um mapa;
encontrei todo sentimento em cada metáfora.

cospe-lhe tudo que pertencia a mim
foi uma entrega suja, porém inevitável.
como um vômito incontrolável e aliviante.
seriamos irrecuperavelmente "nós" a cada trecho,
a cada verbo, a cada rima.
Mesmo quando houvesse apenas palavras soltas,
juntaríamos, trazendo textos tolos,
falando de um amor, que tentamos.

04 fevereiro, 2011

explosão do vazio

as lembranças tomaram conta de todo o vazio,
explodindo em esgotamento,
marcando o rosto, já cansado de pensar.
desejo uma enchente,
para levar tudo que restou e que ainda não consegui me separar.
procuro novas palavras, para falar do igual sentimento
que esqueceu de partir.
cansei se esperar por te, cansei de esquecer de mim.

01 fevereiro, 2011

mm

seus olhos encontraram-me, despindo-me e vestindo-me de intenções. segui meus passos e sem querer, os seus; encontramo-nos numa mesma linha, buscando uma explicação no olhar não tão desconhecido, mas completamente novo. mudamos a direção e ainda assim, buscamos um ao outro, algo surgiu, como um êxtase. criamos uma aliança através de um simples olhar, que apenas um par compreenderia. é uma paixão e nada mais.

24 janeiro, 2011

Chá De.lírios

Cheiro a sutileza do jasmim, tentando me contaminar com sua delicadeza. Piso nas pequenas flores de jambo para enraizar a emoção da sua lindeza. Quero limpar com a ternura das pétalas, a escuridão que colhi para mim. Delírios.
O sentimento não é apagável. Obrigar a transformar-se no vazio, é apagar a mim. Degusto então, cada sensação, dentro e fora de mim, como o sabor inconfundível do amor. E enriqueço-me com a dor e a beleza do sentir.

19 janeiro, 2011

afogo em vícios meus pequenos detalhes
vejo absoluto desprezo em tudo ao redor
cansei de mim.

afogo-me em vícios, seus pequenos toques
quero esquecer.
desvendei nosso mistério.

apego
apenas esse sentimento desprezível restou-me.
acho bom, que seja tão feio o fim do nosso amor.

me conformo com essa ideia
sigo em frente e não digo nenhuma verdade a nosso respeito.
fim, as vezes é obrigado a ser belo

a dor não tem mais rima,
muito menos o amor.
então sigo em frente

mas não digo nada,
nem da dor
do amor.

30 dezembro, 2010

30 de Dezembro.

Fim de tarde
Melhor luz do dia.
Sorvete na mão,
Pés, tentando manter no chão.

Olhos fechados
Encontro nas lembranças, o amor
Sinto o cheiro doce daquela tarde.
Sua voz quase-rouca,
sinto como uma flor tocando-me.

A tarde já no fim.
Lua na noite.
Vejo seus olhos procurando nosso início.
Pisavamos na areia.
estava fria, úmida...
Mas não sentia frio, talvez pelo vinho barato
ou então, pelo calor da emoção.
Lembro que corri de nós dois
Mas, um beijo apressado roubou-me.
Sorri, e mesmo assim corri.

E não escapei,
me rendi,
sabia que seria mais fácil e mais delicioso.
Senti então o corpo estremecer, o suor nas mãos.
As palavras saiam de nós, iguais,
pelos olhos
toques
cheiros
saliva
Unidos pelo mesmo sentir.
(...)



Permiti nosso início,
agora, sofro com o fim.
Mas ainda fecho os olhos,
na melhor luz do dia
e permito-me abrir as lembranças
das doces sensações de amar.