09 julho, 2011

Dois

Metade dói ao construir,
outra parte ao desconstruir.
      - Caminhos bêbados nas mentes vazias.
Seguir o que?
Não encontro mais os ideais reais,
que move naturalmente,
por um brilho inigualável.
Há, no  interior de uns,
um certo vazio sendo construído,
plantado pela desilusão do que nos prende,
do que nos guarda,
nesse infinito inexplicável,
do viver-se.

14 junho, 2011

qualquer título

fechamos os olhos;
seguimos o ritmo dos meus pés,
dançando os versos espontâneos
soprados no ar, por seus lábios belos.
cheiramos ao jasmim da nossa cama
e ao café do primeiro despertar.

misturamos,
os nossos doces.
os tantos sonhos nossos
cantados nos poemas declarados
na noite de lua linda.
escuridão que não assusta,
apenas junta.

os pés descalços
pararam o bailar no caminhar doce;
descascaram-se nos lençóis emaranhados,
de amor,
do dia
         à noite.

05 junho, 2011

estagnar

de repente,
o olhar mudou-se em mim
mas os olhos não conseguem enxergar
como meus instintos querem você.

o silêncio encharca minha vontade
derretendo qualquer declaração ensaiada.
embriago-me, acalmando o desespero dos meus olhos
derramando gotas vermelhamente rubras.

deixo-me levar com a maré,
conservando a energia da confusão interna
onde for, será o mais lindo lugar criado
por um pequeno sentir,
desesperado.

25 maio, 2011

Perder-se

Quando o branco invade tudo que está em volta dos meus olhos, entrega-me a liberdade maior de todas fazendo perder-me nas palavras que não há. Digo o que desejo apenas em pensamento único, que dissipa como água derramada, e o branco cresce, inexplicavelmente, pois dentro, tudo encontra-se transbordando de ideias e vontade de extrapolar-me. A liberdade espalha-se em mim, confundindo todas as linhas que tentei seguir; e assim fico, totalmente água ao chão, desejando o aquecer do amarelo maior, para transformar-me em outras possibilidades. Agora sinto, a saudade do que posso ser, a vontade de descobrir o cheiro que posso exalar para conectar intimamente a vida marcada nas nossas mãos. O âmago comum do mundo e eu, acreditando na complementação dos meus átomos com o inteiro que me rodeia. Misturando as cores todas, fazendo nascer-me mais uma vez ao sol, mudando a essência da minha esperança agora pequena, mas que cresce quando a beleza do eu, espalha-se pela imensidão do viver.

13 maio, 2011

Os versos que outrora transbordavam da sua boca,
escuto hoje pela fresta da porta.
As palavras derramados já não têm seus lábios,
porém, ainda tens a culpa do arrepiar na minha pele,
pelas lembranças do passado mais presente que vivo.


Não cabe em mim, conter o lacrimejar de saudade,
e o medo da ausência que não deixa de estar.
Não desejo mais seu corpo, nem você
desejo as cenas dos meu olhos de menina:
beleza sem fim, do amor inteiro.

28 abril, 2011

Palavriar

A palavra: lava e leva
Leva o decifrar do sentir, o racionalizar do amar.
Descreve o que não vejo e as vezes até o que não há.


Leva leve, mas pesa, sem penar
pode, até sufocar.
Ela corre aqui dentro e bruscamente pára,
tentando não gritar.
E quando grita, lava tanto, que o alívio toma lugar.


Mas quando não sabe-se usar pode despedaçar,
desperdiçando a leveza que nela há.
Maior que a beleza do dizer, é a do saber escutar.


Guardar é o grande dom de falar.

15 abril, 2011

Mar de Arrepios

Enquanto brinco com o vento, 
lembrando de tudo que não quero mais ser,
Você mistura sua fuma no ar,
trazendo-me o cheiro nosso
(perfume e cigarros).
E chego tonta, fechando os olhos
tentando fugir,
Ir pra além mar.
Mar que sempre nos mostra seu ronco,
quando estamos sós.
Sua calmaria e seu raivoso som
Embala-me num desejo que controlo.
Latente,
Disfarçado em olhares de menina com medo de ser mulher 
Mergulhada num mar de arrepios, 
Afogando-me na dúvida da liberdade contida.